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Mais da metade dos brasileiros não lê livros, aponta pesquisa

O hábito da leitura entre os brasileiros está em queda. Segundo a sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro e do Ministério da Cultura, 53% da população não têm o hábito de ler. O levantamento, divulgado durante a Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, mostra que apenas 47% dos brasileiros, cerca de 93,4 milhões de pessoas, leram ao menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Em 2007, esse percentual era de 55%.

Além da redução no número de leitores, o estudo revela dificuldades crescentes de concentração e compreensão de texto, o que acende o alerta para o avanço do analfabetismo funcional. A Unesco define a condição como a incapacidade de interpretar textos simples e aplicar a leitura e a escrita no dia a dia.

O senador Confúcio Moura (MDB-RO) relacionou o cenário à falta de continuidade nas políticas públicas de educação. Segundo ele, milhões de alunos frequentam a escola sem aprender o mínimo esperado, o que aprofunda desigualdades e compromete o futuro do país.

A pesquisa também aponta queda no prazer pela leitura: o número de brasileiros que “gostam muito” de ler caiu de 31% em 2019 para 26% em 2024. Já os que afirmam não gostar aumentaram de 22% para 29%. O professor da USP Adauto Garcia Júnior, atribui parte do desinteresse à influência das redes sociais, que oferecem gratificações mais rápidas e competem pela atenção dos leitores.

Entre as crianças, o gosto pela leitura ainda é mais forte: 87% afirmam gostar de ler, contra 57% entre pessoas acima de 50 anos. O ambiente familiar é apontado como fator essencial para formar novos leitores. “O livro precisa ser uma experiência viva, capaz de despertar emoção e propósito”, afirma Garcia Júnior.

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), presidente da Comissão de Educação e Cultura, destacou a importância dos professores como incentivadores do hábito de ler e defendeu a valorização da categoria como condição para uma educação de qualidade.

A influência das telas também preocupa. O uso de internet e redes sociais aparece muito à frente da leitura entre as atividades de lazer dos brasileiros. Segundo educadores, a proibição do uso de celulares em escolas, pela Lei 15.100/2025, já trouxe aumento no empréstimo de livros nas bibliotecas.

Para especialistas, o desafio é integrar tecnologia e leitura. A diretora escolar Guizilla Cola, defende que o estímulo à curiosidade e o uso de ebooks e rodas de leitura ajudam a despertar o interesse dos alunos. Já o pesquisador Diego Figueiredo, propõe uma abordagem “fidigital”, que une o físico e o digital para tornar a leitura mais envolvente.

Apesar do avanço das telas, o papel ainda predomina: 57% dos leitores preferem o formato impresso, contra 22% que optam pelo digital. A maioria afirma se concentrar melhor e compreender mais profundamente quando lê livros físicos.

Fonte: Agência Senado

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